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Pesquisador garante que conhece esconderijo de tesouro pirata no Brasil

Jorge de Souza

03/10/2019 13h14

Há quase três décadas, desde que leu algumas reportagens sobre um suposto tesouro que teria sido escondido por piratas numa ilha da costa brasileira, o paulista Paulo Teixeira dedica boa parte do seu tempo tentando descobrir que ilha seria essa.

Hoje, aos 57 anos, ele garante que a descobriu.

"Todos os meus estudos apontaram para uma grande ilha entre o litoral de São Paulo e Rio de Janeiro, mas obviamente não vou dizer qual é", diz o pesquisador amador, que vive em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. "Mas posso garantir que não é Ilhabela, como sempre acreditaram muitos pesquisadores que estudaram esse caso no passado".

Um tesouro de verdade

O "caso" ao qual Paulo se refere foi o lendário Tesouro de Lima. A formidável coleção de preciosidades atraídas pelos espanhóis das igrejas da capital do Peru pouco antes da independência do país teria sido roubada por piratas quando a nau espanhola cruzou a costa brasileira, e escondida aqui mesmo em local jamais confirmado – embora tenha gerado um mapa e um roteiro mais ou menos detalhado.

Mas nem Paulo acredita que ainda exista algo de valioso no local onde acredita que parte do saque tenha sido escondido.

"Meu objetivo era apenas desvendar o enigma sobre a autenticidade da verdadeira ilha do tesouro da costa brasileira e ganhar algum dinheiro com isso, publicando um livro ou fomentando o turismo para lá, porque algo escondido acredito que não exista mais. Os próprios piratas devem ter levado tudo embora depois", diz o pesquisador, um técnico de instalações aposentado que, durante muito tempo, trabalhou com topografia.

"A experiência com topografia me ensinou a identificar com precisão pequenas diferenças nos relevos montanhosos, e isso também ajudou a identificar a ilha correta usadas pelos piratas na época", diz Paulo, quer tem plena convicção nas suas pesquisas.

"A verdadeira Ilha do Tesouro é esta aqui", diz Paulo, mostrando uma cópia do mapa que garante ser confiável, "mas com grandes diferenças nos contornos, proporções e formas da ilha verdadeira, como todo mapa de antigamente", diz.

O mapa sobre o qual Paulo baseou suas pesquisas foi publicado por um jornal carioca em 1940, juntamente com algumas cartas que um inglês, amigo de um dos piratas que teriam participado do saque ao galeão espanhol e que estranhamente teria vivido em Curitiba.

"O problema é que houve o mapa e um roteiro descritivo do local onde teria sido escondido o tesouro, mas uma coisa não tem a ver com a outra, apesar de algumas coincidências", diz Paulo. "E isso confundiu quem tentou decifrar o enigma antes de mim".

Não irá procurá-lo

Ele garante ter passado "incontáveis madrugadas" analisando imagens aéreas de ilhas brasileiras, "confrontando declinações magnéticas, latitudes, longitudes e decodificando o mapa", até chegar à conclusão de que encontrara a ilha e o local exato onde os objetos teriam sido escondidos nela.

Mas diz que não pretende ir procurar, porque além de não acreditar que ainda exista algo lá, não tem tem recursos para isso.

Mesmo assim, por precaução, Paulo diz ter registrado em cartório a autoria do estudo e decodificação do tal mapa. "Mesmo nos dias de hoje, esse assunto mexe com a cabeça das pessoas e transtorna a mente humana", explica.

"Sei que vão dizer que sou maluco, mas não me importo com isso. Meus estudos foram sérios e quem pesquisou esta história antes de mim só não encontrou a ilha certa porque não decodificou o mapa direito", diz, mostrando uma série de linhas traçadas sobre a cópia do tal mapa.

Não é Ilhabela

"Meus antecessores não me deram crédito, porque a minha tese é incompatível com a deles", diz Paulo. "Se fizessem isso, teriam que admitir que sempre estiveram buscando o tesouro na ilha errada, e isso arruinaria anos de trabalho", explica, numa direta alusão aos seguidores do mais famoso caçador de tesouros da costa brasileira, o belga Paul Thiry, que passou 40 anos vasculhando uma parte erma de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, em busca de marcos que indicassem a presença de algo. E encontrou alguns.

"O belga encontrou alguma coisa, sem dúvida, do contrário não teria ficado tanto tempo vasculhando em Ilhabela", admite o pesquisador de Caraguatatuba. "Mas não era referente ao Tesouro de Lima, porque ele estava procurando na ilha errada".

Sobre o autor

Jorge de Souza é jornalista há quase 40 anos. Ex-editor da revista “Náutica” e criador, entre outras, das revistas “Caminhos da Terra”, “Viagem e Turismo” e “Viaje Mais”. Autor dos livros “O Mundo É Um Barato” e “100 Lugares que Você Precisa Visitar Antes de Dizer que Conhece o Brasil”. Criou o site www.historiasdomar.com, que publica novas histórias náuticas verídicas todos os dias, fruto de intensas pesquisas -- que deram origem a seu terceiro livro, também chamado "Histórias do Mar - 200 casos verídicos de façanhas, dramas, aventuras e odisseias nos oceanos", lançado em abril de 2019.

Sobre o blog

Façanhas, aventuras, dramas e odisseias nos rios, lagos, mares e oceanos do planeta, em todos os tempos.