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8.714 brasileiros são candidatos a viver em Liberland, que quer ser país

Jorge de Souza

10/09/2018 13h42

 

Nos anos de 1990, a divisão da extinta Iugoslávia em repúblicas autônomas gerou uma sangrenta guerra entre bósnios, sérvios e croatas e algumas áreas em litígio, que, até hoje, ninguém sabe direito a quem pertence.

Aproveitando-se de um desses buracos nos mapas, três anos atrás, um esperto jornalista checo, chamado Vit Jedlicka, declarou a criação de "um novo país" numa área desabitada nas margens do rio Danúbio, na fronteira entre a Croácia e a Sérvia.

Batizada de Liberland, ou "Terra da Liberdade", a nanica autoproclamada nação, de apenas 7 km2 de área e que não ainda foi reconhecida por nenhum país, já tem bandeira, presidente (o próprio Vit, claro) e oferece cidadania a qualquer "pessoa de bem" que queira virar "Liberlander".

 

 

Segundo o relações-públicas da pretensa nova nação, Gauthier Lamonthe, até hoje exatos 8 714 brasileiros já se inscreveram para ter direito a cidadania de Liberland, onde, no entanto, não há uma única casa nem garantia de que isso um dia possa acontecer, porque a área do suposto país ainda é discutida entre os governos da Croácia e da Sérvia – que, por isso mesmo, não permitem a presença de estrangeiros naquele pedaço de terra coberto de mata fechada.

"Por enquanto, quem quiser viver em Liberland pode morar num barco e ficar ancorado no rio Danúbio, que margeia nossa nação e onde nem a polícia da Croácia nem da Sérvia exercem controle", explica o criador da "nova nação", Vit Jedlicka, enquanto busca uma solução definitiva para a questão.

Dois anos atrás, Jedlicka visitou o Brasil para divulgar Liberland e pedir apoio "ao seu governo". Na ocasião, visitou até Brasília. Mas nenhum país até hoje reconheceu a "nova nação", embora as adesões continuem acontecendo pela Internet, através do site oficial www.liberland.org.

"Estamos abertos a todos os brasileiros que queiram ganhar também a cidadania de uma nação européia", diz o relações públicas de Liberland, Gauthier Lamonthe, acreditando que o país, um dia, existirá de fato. "Basta que os candidatos respeitem as opiniões dos outros e não tenham sido condenados por nenhum crime grave", completa.

Para "fundar" Liberland, Vit Jedlicka se baseou no mesmo conceito de terra de ninguém, ou terra nullius, já usado para nortear outros casos de "nações" criadas em áreas que não pertenciam a nenhum país, embora nenhuma delas tenha sido reconhecida pela ONU.

O caso mais famoso do gênero foi o de Sealand, ou "Terra do Mar", uma autoproclamada micronação criada pelo excêntrico inglês Roy Bates 51 anos atrás, e que, até hoje, se intitula uma "nação independente", embora não passe de uma plataforma sobre o Mar do Norte, cuja curiosa história pode ser conferida aqui.

 

Fotos: Liberland.org

Sobre o autor

Jorge de Souza é jornalista há quase 40 anos, ex-editor da revista “Náutica”, criador, entre outras, das revistas “Caminhos da Terra”, “Viagem e Turismo” e “Viaje Mais”, e autor dos livros “O Mundo É Um Barato” e “100 Lugares que Você Precisa Visitar Antes de Dizer que Conhece o Brasil”. Recentemente, lançou o site www.historiasdomar.com, que publica novas histórias náuticas verídicas todos os dias, fruto de intensas pesquisas.

Sobre o blog

Façanhas, aventuras, dramas e odisseias nos rios, lagos, mares e oceanos do planeta, em todos os tempos.