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Atravessar um oceano com o menor barco da história. O desafio está lançado

Jorge de Souza

03/07/2018 04h00

O que você diria de alguém que tivesse construído um barquinho de apenas um metro — um! — quadrado? E se alguém dissesse que vai navegar com ele? Pior ainda: que quer atravessar o oceano Atlântico a bordo dessa casquinha de noz, onde mal cabe uma pessoa?

Pois o americano Matt Kent diz que tudo isso é perfeitamente possível.

E que só não o fez ainda porque enfrentou contratempos nas duas vezes em que tentou iniciar a travessia do Atlântico dentro da caixinha de alumínio de 24 X 24 polegadas (1,06 m X 1,06 m) que ele construiu, com este objetivo.

 

A primeira tentativa, em abril do ano passado, foi abortada por problemas técnicos no seu microscópico barco, não por acaso batizado de Undaunted ("Destemido", em inglês).

Menos de cinco quilômetros após ter partido (absolutamente nada perto dos mais de 8.000 quilômetros previstos para aquela travessia, das Ilhas Canárias à Flórida), Kent, um ex-marinheiro da Marinha Americana, de 33 anos, detectou um problema na fixação dos flutuadores que fazem boiar a sua caixinha e abortou a travessia, quando mal havia deixado a marina. Foi um fiasco.

Já a segunda tentativa, em dezembro último, teve que ser cancelada na última hora, porque as autoridades espanholas exigiram documentos que comprovem que o barquinho de Kent é suficientemente seguro para aquela ousada e longa travessia — o que, no momento, ele busca, sem maiores preocupações.

O objetivo de Kent é bater um recorde que, meio século atrás, levou um americano e um inglês a uma insana disputa para ver quem conseguiria atravessar o Atlântico com o menor dos barcos. E que teve lances absurdos, como você pode conferir aqui.

 

Desde então, o recorde está em poder do americano Hugo Vihlen, que, em 1993, cruzou o Atlântico com um barco de apenas 1,63 m de comprimento – pouco mais que um metro e meio! Agora, Kent quer batê-lo.

"Meu objetivo não é apenas bater o recorde de menor barco da história a cruzar um oceano, mas, sim, ter construído um barco capaz de fazer isso", garante Kent, que, por conta da nova exigência, ainda não tem data para fazer a terceira tentativa. "Será em breve", avisa, sem, porém, maiores detalhes.

"O que mais fascinou neste projeto foi encontrar soluções para questões de engenharia, resistência e, principalmente, adaptabilidade física para esta longa travessia", diz Kent, que diz estar preparado para passar até seis meses no mar sem espaço nem sequer para dar um passo".

 

"Vou dormir em posição fetal, pedalar para produzir energia e água doce num dessalinizador portátil e partir propositalmente mais gordo, para ir perdendo peso aos poucos, porque não cabe muita comida no barco", explica Kent, como se tudo isso fosse a coisa mais natural do mundo.

Se ele conseguirá atravessar o Atlântico espremido dentro de uma caixinha de alumínio menor do que uma banheira de ofurô, não se sabe.

Mas Kent garante que não irá desistir de tentar

 

Sobre o autor

Jorge de Souza é jornalista há quase 40 anos, ex-editor da revista “Náutica”, criador, entre outras, das revistas “Caminhos da Terra”, “Viagem e Turismo” e “Viaje Mais”, e autor dos livros “O Mundo É Um Barato” e “100 Lugares que Você Precisa Visitar Antes de Dizer que Conhece o Brasil”. Recentemente, lançou o site www.historiasdomar.com, que publica novas histórias náuticas verídicas todos os dias, fruto de intensas pesquisas.

Sobre o blog

Façanhas, aventuras, dramas e odisseias nos rios, lagos, mares e oceanos do planeta, em todos os tempos.