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Histórias do Mar

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Afogado por um livro: uma lição que vem da Primeira Guerra Mundial

Jorge de Souza

09/06/2018 04h00

Foto: Getty Images

Na Primeira Guerra Mundial, um dos maiores objetivos dos ingleses era decifrar os códigos usados pelos alemães para se comunicar com seus navios e submarinos.

Em especial, o chamado cógido SKM, que tinha a forma de um volumoso livro, sempre levado a bordo de todas as naves alemãs.

O problema era que, sempre que uma embarcação alemã era atacada, o seu livro de código também se perdia no naufrágio.

Até que surgiu uma oportunidade.

No final de 1914, um contratorpedeio alemão foi cercado pelos russos e encalhou. Na sequência, após intensa troca de tiros, muitos marinheiros alemães se atiraram ao mar, para não serem capturados pelo inimigo.

Um deles, o rádio-telegrafista do navio, fiel a promessa de proteger o código SKM a todo custo, enfiou o pesado livro dentro da farda e se atirou ao mar.

Mas não adiantou. Morreu afogado e, quando o seu corpo foi resgatado, lá estava o cobiçado livro, dentro do seu uniforme.

Ao que tudo indica, foi o próprio livro que o matou, porque pesava uma barbaridade – além do que, pelo seu volume, impedia que ele nadasse direito.

Foi graças a iniciativa daquele marinheiro alemão que os ingleses, finalmente, conseguiram uma cópia do desejado código SKM.

A história não registou o nome do tal marinheiro alemão. Mas ele morreu como um herói. Para os ingleses, é claro.

Moral da história: quem vai além do que deveria fazer, mais atrapalha do que ajuda.

 

 

 

Sobre o autor

Jorge de Souza é jornalista há quase 40 anos, ex-editor da revista “Náutica”, criador, entre outras, das revistas “Caminhos da Terra”, “Viagem e Turismo” e “Viaje Mais”, e autor dos livros “O Mundo É Um Barato” e “100 Lugares que Você Precisa Visitar Antes de Dizer que Conhece o Brasil”. Recentemente, lançou o site www.historiasdomar.com, que publica novas histórias náuticas verídicas todos os dias, fruto de intensas pesquisas.

Sobre o blog

Façanhas, aventuras, dramas e odisseias nos rios, lagos, mares e oceanos do planeta, em todos os tempos.