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Vinho que ficou 300 anos no fundo do mar vai a leilão por R$ 130 mil

Jorge de Souza

05/06/2019 11h24

Duas garrafas que ficaram 300 anos no fundo do mar serão leiloadas juntas (foto: Divulgação/Christie's)

Nove anos atrás, um grupo de mergulhadores encontrou, no fundo do mar da Alemanha, os restos de um velho navio naufragado, cuja idade estimada passava dos três séculos.

Mas, mais relevante do que o achado foi o que eles encontraram parcialmente enterrado na lama, a 40 metros de profundidade: uma caixa com 14 antigas garrafas de vinho, que fazia parte da carga do navio.

Levadas para análise, as garrafas revelaram um verdadeiro tesouro: ainda havia vinho dentro delas. E um vinho "poderoso, ainda com teor alcoólico", como atestaram os especialistas, que provaram e analisaram o conteúdo de uma das garrafas – a única que foi aberta até hoje.

Pelo formato da garrafa, da rolha e das características do navio, eles estimaram que aquele vinho tinha mais de 300 anos de idade e fora produzido em algum período entre os anos de 1670 e 1690. Portanto, uma autêntica raridade.

Não por acaso, duas daquelas centenárias garrafas são as principais estrelas de um leilão de vinhos raros que acontece nos dias 5 e 6 de junho na mais famosa casa de leilões do mundo, a Christie's, de Londres.

R$ 130 mil por duas garrafas

Apresentadas como "Vinhos do Naufrágio", já que sua origem é desconhecida, as duas garrafas serão oferecidas juntas por lances mínimos de US$ 33 mil (cerca de R$ 130 mil), mas a expectativa é que ultrapassem este valor, já que se trata do "mais antigo vinho já leiloado pela Christie's", como informou a casa, ao anunciar o leilão – que é aberto a qualquer pessoa, através do site.

Se arrematadas, as garrafas virão "em caixas especiais cheias d'água, para manter a ambientação na qual estiveram os últimos três séculos", informa a tradicional casa de leilões, que, no ano passado, bateu o recorde de venda do vinho mais caro da história ao vender uma garrafa do lendário vinho francês Romanée-Conti pelo equivalente a mais de R$ 2 milhões.

Perto disso, as duas garrafas do Vinho do Naufrágio que estão sendo leiloadas podem se tornar verdadeiras pechinchas, já que se tratam de vinhos do século 17, portanto com caráter até histórico.

A dúvida é se os eventuais compradores terão coragem de consumi-las. Até porque, de acordo com a Christie's, como se tratam de vinhos muito antigos, sua capacidade de "bebilidade é questionável". Ou seja, são ítens para um museu, não para a mesa.

Mar melhora o vinho

Esta não foi a primeira vez que os oceanos mostraram a incrível capacidade de preservar as propriedades de garrafas submersas. Diversos outras garrafas de vinhos já foram encontradas intactas em naufrágios, mas nenhuma tão antiga.

Em alguns casos, os mares até ajudaram a melhorar a qualidade das bebidas, como no caso do hoje famoso vinho português da Ilha da Madeira.

No passado, barricas daquele vinho eram levadas como simples lastro nas caravelas, para que elas não balançassem tanto. Mas, ao final da viagem, depois de tanto tempo navegando, a bebida adquiria um sabor único e especial, que acabou trazendo fama mundial àquele tipo vinho, como pode ser conferido clicando aqui.

Sobre o autor

Jorge de Souza é jornalista há quase 40 anos. Ex-editor da revista “Náutica” e criador, entre outras, das revistas “Caminhos da Terra”, “Viagem e Turismo” e “Viaje Mais”. Autor dos livros “O Mundo É Um Barato” e “100 Lugares que Você Precisa Visitar Antes de Dizer que Conhece o Brasil”. Criou o site www.historiasdomar.com, que publica novas histórias náuticas verídicas todos os dias, fruto de intensas pesquisas -- que deram origem a seu terceiro livro, também chamado "Histórias do Mar - 200 casos verídicos de façanhas, dramas, aventuras e odisseias nos oceanos", lançado em abril de 2019.

Sobre o blog

Façanhas, aventuras, dramas e odisseias nos rios, lagos, mares e oceanos do planeta, em todos os tempos.