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Como é o Carnaval na praia mais agitada e milionária do litoral do Brasil

Jorge de Souza

02/03/2019 09h00

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A primeira condição é ter um barco, porque não existe outro jeito de chegar nesta linda praia de uma das ilhas de Angra dos Reis a não ser pelo mar – o que, por si só, já seleciona os seus frequentadores.

E a segunda é estar a fim de muita agitação, porque é isso que se irá encontrar (além de gente bonita e rica), especialmente nos próximos dias de Carnaval, na linda praia de Jurubaíba, que, no entanto, ninguém conhece por este nome, só pelo apelido "Praia do Dentista" – porque a única casa que existe ali, discretamente escondida na mata, é do ainda mais discreto dentista carioca Olympio Faissol, que (suprema ironia, já que é totalmente avesso a badalações), acabou servindo para rebatizar a praia mais agitada de Angra dos Reis.

A Praia do Dentista é, de longe, a mais famosa entre os milionários do Rio e de São Paulo que frequentam o mar de Angra dos Reis nos fins de semana e feriados prolongados – e, no rastro deles, também dos que querem entrar para a turma.

Sobretudo agora, no Carnaval, quando costuma reunir a maior concentração de lanchas e iates do litoral brasileiro – um verdadeiro show de grandes barcos e muita gente endinheirada reunidas na mesma praia, como um só objetivo: se divertir. Especialmente, vendo e sendo visto por quem está nos outros barcos.

Até pouco tempo atrás, um dos seus mais assíduos frequentadores era o (ex) bilionário Eike Batista, que fazia questão de ancorar o seu iate bem no meio da muvuca. E ali passava o dia inteiro.

"A Praia do Dentista é o lugar certo para quem gosta de gente bonita, divertida e rica".

Diz outro frequentador desta belíssima praia da Ilha da Gipóia, dona de um mar bem verde e areias branquinhas e fininhas, que, no entanto, quase ninguém pisa – porque o lance ali é ficar dentro dos barcos, curtindo e espiando o que se passa nos outros barcos. "Aqui é onde Angra se encontra", resume.

Nos dias de sol em datas especiais, como, agora, no Carnaval, a Praia do Dentista chega a reunir mais de 200 lanchas e iates, que param lado a lado, formando autênticas passarelas sobre o mar. O clima é de balada, com muita música e gente com pouca roupa dançando ou passando de um barco para o outro. Mas, acima de tudo, querendo ver e ser visto.

Ninguém na areia

O curioso é que, embora o mar diante da praia vire um formigueiro de gente e lanchas reluzentes, quase ninguém desembarca na areia – que costuma ficar praticamente às moscas, mesmo nos dias de intenso movimento. A agitação da Praia do Dentista só acontece dentro d'água, a bordo dos barcos. Ali é todo mundo quer e faz questão de estar.

Até os bares da Praia do Dentista ficam dentro d'água. Um deles é um grande flutuante, com mesas e cadeiras. Outro, um barco de pesca que foi transformado em restaurante e entrega petiscos nas lanchas, em forma de delivery.

É, sem dúvida, uma praia diferente. E exatamente o oposto de outras tantas praias da Baía de Angra, especialmente as eternamente desertas Praias de Leste e de Sul, na Ilha Grande, onde ninguém – e nenhum barco – pode entrar. E quem fizer isso será multado e poderá até ir preso.

A distância que separa as Praias de Leste e de Sul da Praia do Dentista é pequena. Mas a diferença, gigantesca. Qual das duas é mais a sua praia?

Sobre o autor

Jorge de Souza é jornalista há quase 40 anos. Ex-editor da revista “Náutica” e criador, entre outras, das revistas “Caminhos da Terra”, “Viagem e Turismo” e “Viaje Mais”. Autor dos livros “O Mundo É Um Barato” e “100 Lugares que Você Precisa Visitar Antes de Dizer que Conhece o Brasil”. Criou o site www.historiasdomar.com, que publica novas histórias náuticas verídicas todos os dias, fruto de intensas pesquisas -- que deram origem a seu terceiro livro, também chamado "Histórias do Mar - 200 casos verídicos de façanhas, dramas, aventuras e odisseias nos oceanos", lançado em abril de 2019.

Sobre o blog

Façanhas, aventuras, dramas e odisseias nos rios, lagos, mares e oceanos do planeta, em todos os tempos.