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Caso dos velejadores brasileiros presos em Cabo Verde: surge uma esperança

Jorge de Souza

04/12/2018 10h48

Pela primeira vez desde que foram presos em Cabo Verde, no ano passado, sob a acusação de tráfico internacional de drogas, depois que o barco no qual trabalhavam ter sido flagrado com mais de uma tonelada de cocaína escondida no casco, os familiares dos três velejadores brasileiros estão esperançosos.

Os parentes dos baianos Rodrigo Dantas e Daniel Dantas, além do gaúcho Daniel Guerra, que estão presos há mais de um ano, estão otimistas após a recente decisão da Justiça de Cabo Verde de reconhecer que houve falha no julgamento, porque o juiz encarregado do caso não aceitou ouvir as seis testemunhas dos brasileiros, nem aceitou anexar ao processo o relatório da Polícia Federal brasileira que inocentou os três rapazes no inquérito (que o juiz classificou como "forjado").

"Nenhum juiz pode impedir a produção de provas contra os acusados, como fez o juiz de Cabo Verde ao não aceitar ouvir as testemunhas dos brasileiros, nem tampouco ofender uma instituição séria de outro país, como ele fez com a Polícia Federal do Brasil", diz João Dantas, pai de Rodrigo Dantas, um dos acusados.

"E isso, agora, foi reconhecido pela Justiça", respira parcialmente aliviado Dantas, que, desde que este complicado caso começou (clique aqui para conhecê-lo por inteiro), não faz outra coisa a não ser tentar tirar o filho da cadeia e brigar por justiça.

"O próximo passo deverá ser a anulação do julgamento que condenou injustamente os brasileiros ou, talvez, até mesmo a absolvição deles, com o julgamento em segunda instância do recurso que mostrou a ilegalidade da sentença", explica Dantas, que tenta conter o otimismo, mas arrisca: "Talvez até o Natal eles já estejam soltos", diz.

Contudo, caso isso ainda não aconteça, os três brasileiros não deverão ficar presos além de abril do ano que vem, quando vence o prazo da prisão temporária a que eles foram submetidos, porque o juiz considerou que havia "risco de fuga" deles do país – embora todas as famílias dos três brasileiros já estejam praticamente morando em Cabo Verde. "Temos até apartamento alugado aqui", diz o pai de Rodrigo, que completa: "O julgamento dos rapazes foi vergonhoso e isso, agora, está sendo reconhecido".

Entre as seis testemunhas dos brasileiros que o juiz de Cabo Verde se recusou a ouvir no julgamento estava o dono do estaleiro Ocema, de Salvador, onde foi feito, a pedido do inglês George Saul, dono do barco — mais conhecido como "Fox" ("Raposa", em português) e que está foragido–, o compartimento secreto no fundo do casco onde a droga foi escondida, a pretexto de "estocar mais combustível".

"Agora, de uma forma ou outra, as testemunhas dos brasileiros serão ao menos ouvidas, através dos depoimentos que constam no inquérito da Polícia Federal anexado ao processo, ou mesmo pessoalmente, caso haja outro julgamento, que nós não tememos, porque sabemos que os rapazes são inocentes", diz João Dantas.

E ele completa: "Estamos, finalmente, confiantes de que a justiça será feita neste caso".

Fotos: Arquivo pessoal

Sobre o autor

Jorge de Souza é jornalista há quase 40 anos, ex-editor da revista “Náutica”, criador, entre outras, das revistas “Caminhos da Terra”, “Viagem e Turismo” e “Viaje Mais”, e autor dos livros “O Mundo É Um Barato” e “100 Lugares que Você Precisa Visitar Antes de Dizer que Conhece o Brasil”. Recentemente, lançou o site www.historiasdomar.com, que publica novas histórias náuticas verídicas todos os dias, fruto de intensas pesquisas.

Sobre o blog

Façanhas, aventuras, dramas e odisseias nos rios, lagos, mares e oceanos do planeta, em todos os tempos.